Cuneiforme

 ”São lúgubres, de uma obscuridade sombria, nenhuma luz existe em seus corpos,
deslizam sempre esquivos secretamente, não caminham verticalmente,
uma bílis amarga goteja de suas garras, suas pegadas são (marcadas com) veneno maligno….
Não são machos nem fêmeas,
são ventos que varrem sempre oblíquos,
não têm esposas, não engendram filhos,
não demonstram misericórdia,
não atendem rezas ou súplicas….
São arrepios e tremores (de morte) que trespassam todas as coisas, crias do deus celestial, geradas como espíritos maléficos,
mensageiros de morte, filhos amados do deus da tempestade, nascidos da rainha do submundo,
que foram extirpados do céu e arremessados na terra como párias, são criaturas infernais, todos.
Acima eles rugem, abaixo abaixo eles grunhem,
são o veneno amargo dos deuses,
são as grandes tempestades liberadas pelo céu,
são as corujas (de mau agouro) que piam pela cidade,
crias geradas pelo deus do céu, os filhos engendrados pela terra são eles.
Sobre os telhados elevados e largos eles surgem como uma onda de uma enchente,
de casa em casa eles galgam,
As portas não os prendem, as trancas não os contêm,
através das portas deslizam como serpentes,
através das dobradiças eles fluem como o vento.
Dos braços do marido eles conduzem para fora a esposa,
dos joelhos do homem fazem a criança erguer-se,
e aos jovens eles conduzem para fora da casa de seus parentes,
são o torpor, a embriaguez, sempre no encalço do homem.” 

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Encantações: Os Sete São sete, são sete. Nas profundezas do Oceano, são sete, obedece, no céu são sete, nas profundezas do Oceano, nas Moradas, cresceram! Não são machos nem fêmeas, são os que despertam a tempestade, não possuem mulheres, não geram filhos, não sabem de piedade ou misericórdia, não escutam preces nem súplicas, são cavalos que crescem na montanha, são os inimigos de Ea, os guzalû dos deuses, para destruírem o caminho mantêm-se nas ruas, são maus, são maus, são sete, são sete, são duas vezes sete. Em nome do céu os exorcizamos, em nome da terra os exorcizamos. (Mesopotâmia, c. 2000 a. C.)

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